Observando e ouvindo meus alunos
- 12 de fev.
- 2 min de leitura
Recentemente voltei à trabalhar, e com isso, voltei a ter interações diversas com os meus alunos, tanto com os que eu já conheço, quanto com os que entraram agora na escola. Fico feliz que no meio do caos da educação pública de São Paulo, consegui ficar na escola que já estava no ano passado. Reencontrei meus queridos colegas de trabalho, e pude novamente sentir a riqueza durante algumas interações em sala de aula.
Hoje, uma aluna me disse que me pareço com um gatinho do caderno dela.

Um gatinho preto de óculos. Achei muito fofo. Recebi dos recentes 2ºs anos muitos desenhos de presente. Acho fofo o ímpeto que eles tem de dar seus desenhos como presentes.
Eu aplico oficina de desenho, e na teoria, eu deveria os ensinar a desenhar coisas diferentes, mas comecei a reparar que não tinha essa necessidade com certas salas a não ser que me pedissem. Eles desenham (claro, nem todos, mas a maioria sim), e desenham suas referências, as coisas que consomem e imaginam, e sinceramente, acho que nessa fase, é a melhor coisa deixar eles expressarem no desenho o que desejam. Não vejo uma necessidade ou motivo real de eu estar ensinando desenhos que não fazem sentido pra eles naquele momento, muito menos de forma solta, sem um contexto. Melhor que deixem aproveitar o momento da oficina de desenho para se deixarem imaginar e ter o prazer de usarem seus materiais coloridos (finalmente!) dentro de um dia de 9 horas sentados (apesar de ainda estarem sentados e eu acreditar que deveriam sim poder brincar, mas como não posso, é o que os resta, infelizmente...)
Antes do comentário do gatinho, uma outra aluna da mesma sala me entregou uma miniatura da cabeça do Harry Potter, daquelas que você coloca no lápis, e depois essa mesma aluna comentou que eu também me pareço com ele.

Neste mesmo período fiquei conversando com um outro aluno que me contou que gosta muito de filmes de fim de mundo. Fiquei intrigada porque é um dos meus gêneros favoritos também. Perguntei qual era o favorito dele e ele disse que é o O Impacto Profundo. Fiquei curiosa e pesquisei, e vi que era de 1998. Caramba... Filme antigo, criança nova, não esperava! Ele disse que o pai dele fica bravo com ele porque não aguenta mais assistir o mesmo filme.
É curioso: tantas vidas, tantas histórias e coisas que nem imaginamos, tantos detalhes que temos e percebemos sobre a personalidade claramente muito distinta de cada um que notamos durante as conversas. Quando posso, fico feliz em ouvi-los. Me sinto rica no sentido sensível.
Enfim, também entreguei hoje para o 3º ano A, a sala em que sou tutora, um caça palavras depois que terminaram de fazer suas capas do bimestre. De primeira (primeiros 5 minutos) não gostaram da ideia, mas quando me dei conta, já tinha entregado as outras 15 cópias do caça palavras, que delícia ver eles se empenhando pra uma atividade que nos meus tempos de escola eram legais de fazer. Com paciência, compartilhando com os outros colegas, se desafiando entre si. Amo a educação (mas não o sistema em que ela está).


QUE FOFOOOO MEU DEUS CRIANCAS FOFAS VC E FOFA TD FOFO. Os alunos sao uns queridos, parecem ser crianças mt curiosas e legais tambem hehe