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Como arte deixou de ser comercial e se tornou tão íntima pra mim.

  • 26 de dez de 2025
  • 4 min de leitura

Desde que eu estava no Ensino Médio, eu tinha uma vontade muito grande de criar uma loja online para vender e comercializar minha própria arte em formato de adesivos, chaveiros, impressos de tamanhos diferentes, e até fazer comissões. Esse desejo perdurou até o fim do ano passado (2024).

Este ano de 2025 (que já já se encerra), comecei a trabalhar em uma escola pública de período integral, dando aula de Linguagens Artísticas (uma variação da matéria de Arte, mas com menos coisas a serem cumpridas) para os Anos Iniciais (do 2º ao 5º ano). Posso dizer com firmeza que foi o ano mais complicado da minha vida, pois ao mesmo tempo, estava finalizando a minha faculdade, ou seja, com um TCC para dar conta junto do trabalho (que fico das 7h até 16h), mas que me trouxe os meus maiores aprendizados, sobre como ser mais resiliente, como deixar de procrastinar naturalmente, como me tornar mais responsável num geral, e uma dessas lições, foi de como a arte pode ser muito pessoal.

Não me levem a mal, eu não tenho NADA contra as pessoas que tem suas lojas, na verdade eu adoro consumir todo tipo de coisas em eventos de animes por exemplo, mas percebi que não é pra mim. Durante este ano, conforme aplicava as atividades dentro de sala de aula, para cerca de 34 alunos de cada vez, fui notando sem querer o fluxo de criação das crianças. Como elas são livres, a maioria sem medo de errar, com experimentações, conversas, como colocam coisas do dia a dia sem se preocupar no que os outros colegas falariam, ou mesmo que falassem --como eles diziam -- o trabalho é deles!

O processo de criação deles, explorando as materialidades e os pensamentos que vinham nas suas cabecinhas me inspirou tanto que isso acabou sendo o tema do meu TCC: "Experiências Significativas na aula de arte: gerando afetos". Afetos esses que atravessam eles, e que acabaram me atravessando.

Desde que entrei na faculdade, a pressão de fazer trabalhos perfeitos o tempo todo me consumia, e acabei deixando de lado produzir as coisas por prazer, como hobby, como uma forma de expressão ou sequer de experimentar coisas novas. Já fazia 4 anos que não fazia nada por gosto genuíno, tirando meus rabiscos nos cantos das folhas de anotações por aí, que acabam se perdendo com o tempo querendo ou não.

Mas, mais pra metade do ano, percebendo o quão rico as vivências e experiências dos meus alunos são nos momentos artísticos, percebi que acabei me libertando do meu perfeccionismo. Comecei a desenhar por prazer de novo, coisas pequenas e sem explorar muito outros tipos de mídia. Depois, comecei a experimentar com colagem: materiais jogados, notinhas fiscais, embalagens e muitos outros. Comecei a explorar os dois juntos, tentei colocar adesivos, tentei recortar palavras... Muitas coisas foram vindo, e finalmente, agora no final do ano, posso dizer que amo fazer arte de novo. Sinto minha cabeça borbulhando de ideias e de vontade de testar várias coisas diferentes, e não sinto nenhuma pressão para colocar em redes sociais... Onde sim, eu posto, mas puramente como forma de arquivar meus trabalhos, e por acaso, caso aconteça, alguém possa se interessar... Não ligo para a quantidade de curtidas, pois mesmo que tenham poucas ou várias, só eu sei o real valor daquilo que eu fiz, o que eu senti fazendo, minha leveza ao sentir que afinal eu tenho livre arbítrio né hahaha.

Vou colocar algumas das minhas obras aqui, a maioria sem nada técnico, pois nem títulos para elas eu dou...



Estes são as minhas artes mais recentes, todas em um sketchbook que comprei faz pouco tempo, e que já está acabando por sinal. Como dito anteriormente, ando gostando de experimentar com diferentes, e nisso entram os giz de cera, giz oleoso, canetinhas hidrográficas, lápis de cor... E gosto de utilizar materiais que seriam jogados fora, com inspiração do artista Carlos Asp, que é um artista brasileiro que usa embalagens que seriam jogadas fora como suporte para as suas obras, e usa lápis dermatográficos (ou lápis de olho/boca hahaha), pois ele gosta de como são pigmentados e acessíveis.

Enfim, acho que a última obra do mosaico é a que mais me atravessou, pois justamente toca na questão do cotidiano. Sobre como existe arte em todo canto, em todos os momentos e em todas as pessoas, basta termos este olhar diferenciado: um olhar de carinho, apreciação, sensibilidade.

Quero continuar criando para atravessar e sentir, e especialmente para MIM, que sou a pessoa presente em todas as partes dos meus processos criativos. Nós artistas temos que fazer arte para nós em primeiro lugar!

Adicionando mais um pensamento, é engraçado, pois até o fim do primeiro semestre deste ano, eu nem sequer conseguia me chamar de artista, mas hoje, sinto que estou realmente me encontrando, e encontrando meu estilo, minha linguagem na arte. É importante pra mim isso, pois eu como arte educadora, também tenho que me desafiar, testar, pesquisar, experimentar, se não, será cada vez mais difícil estimular meus alunos em sala de aula. Artista e educadora não se separam, e espero que os meus momentos artísticos me tragam cada vez mais inspirações para eu levar para a sala de aula...

1 comentário


Sanic
26 de dez de 2025

Que texto fofo e inspirador! Vc e uma baita de uma artista meu amor!!❤️


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